A Mancha nas eliminatórias da Copa do Mundo de 1989

Por: Torcida Mancha -

O ano de 1989 foi polêmico para a Mancha Verde!

Poucos sabem que íamos aos jogos do Brasil em caravanas. A Mancha foi a vários desses jogos, tanto no Morumbi quanto no Maracanã, inclusive naquele jogo contra o Chile, no qual o Rojas simulou uma contusão e acabou banido do futebol!

Não podíamos deixar o Brasil “na mão”… E principalmente os nossos inimigos sem sentirem medo.

E foi assim que partimos para mais um jogo, saindo da sede com um ônibus, em um sábado à noite, pois o mesmo seria no domingo à tarde, no Rio de Janeiro.

Fomos bem antes, pois queríamos chegar cedo para passarmos em São Januário e de lá seguirmos com o pessoal da Força Jovem do Vasco e da Torcida Jovem do Botafogo, a pé, até o Maracanã!

O Ribeiro, da Explosão Coração Corinthiana (como diria o Milton Neves: que fim levou essa torcida?), sempre organizava caravanas para os jogos do Brasil, tanto os da seleção principal quanto os da Master, e naquele jogo a Gaviões também colocou ônibus… Ou seja, o Rio de Janeiro tinha ficado pequeno…

O pânico começou na Dutra!

Um ônibus da Mancha com os caras certos não era mais “um ônibus”… Era o inferno!

Na época, o Paulinho falava que os caras “dormiam amarrados para ficarem com o diabo no corpo”! A molecada do “AOA” com o Paulo Preto, Cesinha, Turuna, Nenê, Gilberto, Xingú, Neno, Barney, e ainda tinha o pessoal mais velho, o “sangue nos olhos”! E o nosso presidente, Moacir Bianchi, era o pior de todos! Sem contar o Nivaldo, que era um urso, o Beto da Vila Maria, o Muito Louco (que era um alemão cabeludo cujo próprio apelido já dizia tudo), a turma do ABC: Malpicas, Bomba, Laurinho, Conan, Ganso, Faustão… E “os cabeças”: Aquiles, Peruche, Cascão, Ricardo Rafael e Paulinho.

Não era uma torcida… Era um time.

Não, não era um time… Era uma seleção de feras!

Sair na mão ao lado desses caras era fácil! Eles não tinham a menor noção do perigo, ou tinham, mas a coragem atropelava o medo.

Éramos realmente perigosos!

Imagine agora a cara do “maluco” que acordou no meio da Dutra com o Nivaldo entrando no ônibus, todo de Mancha, e mandando todos descerem… Esse “maluco” era um cara da Gaviões que estava dentro do ônibus da Explosão naquela viagem, e teve que descer junto com todo mundo!

Lealdade é um lema que os gambás usam.

Foi a Mancha que, além de sua dignidade, que de fato é seu lema, na palavra e na atitude, foi leal naquele dia, e não bateu naqueles coitados.

Chegamos ao Rio de Janeiro e em São Januário e nos juntamos então à uma “banca monstro” da Força, e logo os caras da TJB também colaram conosco.

A polícia carioca dividiu o espaço da seguinte forma: em uma metade ficariam os torcedores do Vasco, Botafogo, Palmeiras e Santos (não batemos na Jovem) e, na outra, os do Flamengo, Fluminense, Corinthians e São Paulo, sendo que a Independente não foi a esse jogo.

Chegamos cedo ao Maracanã e quando entramos no estádio ainda não havia sido colocada essa divisória… E não deu nem tempo.

Quando vimos, os nossos caras já estavam correndo em direção aos inimigos. A faixa da “Young Flu” era logo a primeira que estava estendida, e foi também a primeira que começamos a arrancar! Os caras da Força Jovem estavam junto conosco.

Era cerca de 13 horas da tarde e o estádio ainda estava vazio, basicamente mesmo só mais as organizadas. E foi uma pancadaria!

Só aí a Polícia Militar chegou e separou todo mundo!

Um cara da Força comentou:

– Meu irmão, tu são maluco, vai pro arrebento assim? Os caras tão tudo lá no túnel, e é uma multidão!

A Mancha mudou o conceito sobre “organizadas”.

Fazíamos coisas das quais, depois, até nós mesmos não acreditávamos!

O jogo começou. Foi uma partida difícil e o Brasil ganhou com um gol do Careca.

Naquele dia o estádio fez uma festa nunca vista. E não eram somente as organizadas. Era o “povão” cantando e vibrando. Era uma “geral” que nós somente víamos, até então, pela TV!

Cada figuraça… Alguns fantasiados, outros sem camisa, sem dentes, pulando a cada escanteio, somente para aparecer na televisão!. Eram cartazes e mais cartazes com frases de efeito, tiração de sarro de alguma situação política do Brasil, dos times cariocas, dos jogadores e principalmente do técnico do Chile, um tal de Aragones.

Ah! Não posso esquecer de citar um fato que ficou marcado naquele jogo! Bem próximo à faixa da Mancha subiu um rojão que caiu ao lado do Rojas, goleiro da Seleção Chilena. Todos já pensaram que poderia ser algum moleque nosso, mas foi uma tal de “Rosemary”, que acabou ficando depois conhecida como “a fogueteira do Maracanã”!

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