A Mancha Verde e o samba

Por: Torcida Mancha -

O preconceito

Nos anos 40 e 50, ainda tomados pelo preconceito e pelas marcas da 2ª Guerra Mundial, os palmeirenses eram tachados de “italianinhos” e “loirinhos de olho azul”, pelas torcidas adversárias. Eles diziam que os palmeirenses eram “racistas” porque não se via muitos negros na torcida.

A boa fase do Palmeiras e os grandes títulos conquistados nos anos 60 e 70, começaram a mudar o perfil da torcida. Passamos a ver muitos negros e nordestinos com a camisa do Palmeiras pelas ruas e, consequentemente, alguns sambistas, ritmo do momento e de grande apelo popular.

Os três rivais do Palmeiras já tinham seus blocos carnavalescos formados nos anos 70 (Gaviões, TUSP e o Bloco do Peixão) e desfilavam no carnaval da cidade. Na época, a TUP era a maior torcida organizada do Palmeiras e entre seus componentes alguns despontavam como amantes do samba e queriam também entrar no carnaval, mas a diretoria da torcida na época era contra.

Com o crescimento das torcidas organizadas, os instrumentos típicos do samba foram sendo introduzidos nas arquibancadas dos jogos de futebol no Brasil. Mas os adversários seguiam falando que “palmeirense não é do samba”.

A fundação da Mancha e a semente do samba plantada

A partir de 1983, com a fundação da Mancha Verde, o perfil da torcida do Palmeiras mudou definitivamente. Com um grande trabalho, dentro e fora das arquibancadas, a Mancha ano a ano ia ampliando seu quadro de associados e recebendo palmeirenses de todos os perfis, inclusive amantes do samba.

As torcidas palmeirenses eram unidas. Constantemente integrantes da Mancha Verde, TUP, Falange Verde, Brigada Verde, etc, se encontravam na noite paulistana, para curtir shows de samba.

CLÉO SOSTENES, um dos fundadores da Mancha, era um admirador do samba e também tinha o sonho de ver a Mancha como escola de samba. No Carnaval de 1988, por iniciativa do CLÉO, a MANCHA VERDE desfilou como uma ALA dentro da Escola de Samba Águia de Ouro.

Desfile com o Águia de ouro em 1988

Logo depois desse Carnaval, foi feita uma reunião entre as lideranças das torcidas organizadas palmeirenses na época para que fosse criada uma escola de samba só com palmeirenses, com o nome de “Escola de Samba Mocidade Alviverde”. A ideia não vingou. O sonho e vontade do CLÉO era fundar uma escola de samba própria da Mancha.

Meses depois, CLÉO nos deixou. E com a sua partida, a ideia da escola de samba da Mancha foi deixada de lado.

Em 1989, a TUP fundou o seu bloco carnavalesco próprio. A Mancha ainda sentia a falta do seu grande líder e fundador.

A retomada do sonho de Cléo

No final de 1991, Paulo Serdan assumiu a presidência da Mancha. A torcida já contava com a sede na Rua Padre Antonio Tomás e, quando assumiu, de imediato Paulinho fez muitas melhorias na sede como azulejos nas paredes, mesa de ping pong e pebolim, reforma do quartinho do patrimônio, colocação de TV na sede, etc.

A MTV (Music Television) era o canal da moda e ficava 24h por dia passando clipes musicais. A TV da sede ficava o dia todo ligada na MTV, que destinava 80% da sua programação para o rock e pop rock internacional.

Mesmo assim, alguns integrantes da Mancha passavam a tarde e noite ensaiando a batucada na porta da sede. Em 1992 alguns ex integrantes da TUP vieram para a Mancha e trouxeram com eles a experiência como bloco carnavalesco e o amor ao samba, e com isso, juntamente com os manchistas que já gostavam de samba, foram aumentando o número de adeptos das batucadas na porta da sede.

As batucadas da Mancha dentro e fora do estádio foram ganhando força. Paulo Preto, Turuna, Cabeção, Formigão, Mad, Mocóca, Gilberto e outros passavam o dia todo batucando. Outros foram contagiados e começaram a aprender também. As meninas da época também começaram a tocar: Paquita, Karina, Cibele, Patricia, etc.

Muitos frequentavam a quadra do Águia de Ouro e desfilavam na bateria. Definitivamente o samba estava dentro da torcida do Palmeiras e era questão de tempo para que a Mancha tivesse o seu próprio bloco carnavalesco, até que finalmente o sonho se concretizou.

Bloco Carnavalesco Mancha Verde

Devido à briga do Pacaembu, entre torcedores da Mancha e da torcida Independente, do São Paulo Futebol Clube, a justiça decretou, ainda naquele ano, a suspensão das atividades da então Grêmio Recreativo Esportivo Cultural Torcida Mancha Verde como pessoa jurídica.

Como os integrantes da torcida continuaram se reunindo após isso, para que continuassem a poder fazê-lo de modo oficial, em 18 de outubro de 1995 assinaram a oficialização do Grêmio Recreativo Cultural Bloco Carnavalesco Mancha Verde. Embora a Mancha como Bloco Carnavalesco tenha sido criada com novos CNPJ e estatuto, seus integrantes a consideravam como a continuação da torcida extinta.

Alguns nomes do Águia de Ouro foram importantes nesse início da Mancha como bloco carnavalesco, entre eles o presidente Sidnei, o mestre Juca, Rui “Lolo” e também o Raimundo Neto “Chic Chic” que nos ajudou muito com o registro da Mancha na UESP, como bloco carnavalesco para conseguir desfilar. Dentro da Mancha, além do próprio Paulinho, nomes como o do Marcão da Moóca, Moacir Bianchi, Nivaldo, Rogério Baianão, Venê, Luis Kokay e outros também colaboraram muito para a fundação do Bloco.

DONA NORMA, mãe do Paulinho Serdan, também merece muito destaque nessa história. Era ela a grande incentivadora desse sonho. Era ela quem costurava as fantasias e dava guarida aos “meninos da Mancha” que passavam noites auxiliando na confecção das fantasias.

O primeiro desfile da Mancha foi em 1996. O enredo era “Sinal Verde Para a Vida” e o interprete foi o Douglinhas. O desfile foi na Vila Maria e logo em seu primeiro ano a Mancha foi vice campeã do Grupo de Blocos Pleiteantes ao Grupo 1, o que possibilitou o acesso a esse grupo.

Em 1997, já desfilando pelo Grupo 1 na Av. Edgar Facó, a Mancha conquista seu primeiro título com o enredo “Noite Paulistana, um convite ao prazer”. Em segundo lugar ficou a TUP. O título valeu o acesso ao Grupo Especial de Blocos.

Em 1998, a Mancha estreia no Sambódromo do Anhembi em grande estilo, como campeã do Grupo Especial de Blocos, com o enredo “Minha Terra Tem Palmeiras”, que falava sobre o nosso alviverde.

Em 1999, a Mancha constrói sua primeira quadra e ao mesmo tempo faz um grande carnaval, ainda no Grupo Especial de Blocos Carnavalescos, com o enredo “Vinho, o Néctar dos Deuses”. O resultado final foi bastante contestado pela diretoria da Mancha, um segundo lugar, por conta de uma penalização na letra do samba que até hoje não foi aceita. O presidente Paulo Serdan, inconformado com o resultado, passou a seguinte mensagem: “Se fosse para a Mancha ser roubada, que seria como Escola de Samba e não como Bloco”.

Definitivamente a Mancha havia conquistado o respeito dos sambistas e no ano 2000 a Mancha estreia como Escola de Samba, no Grupo 3 – Oeste, com um honroso vice-campeonato e o enredo “Brasil, Que História é Essa?”. Com a colocação, conseguiu acesso para o Grupo 2.

E vieram mais dois títulos seguidos: 2001 (no Grupo 2, com o enredo “A Busca da Paz no Axé dos Orixás”, que valeu acesso para o Grupo 1) e 2002 (no Grupo 1, com o enredo “De Lutas e Solidariedade: A Força do Trabalhador”) e o sonho de estar na elite do Carnaval Paulistano se aproxima, pois o título de 2002 valeu o acesso da Mancha para o Grupo de Acesso…

No seu primeiro ano no Grupo de Acesso, 2003, a Mancha faz um belo desfile e termina em 3º lugar, meio ponto atrás da 2ª colocada, colocação que lhe daria o direito a subir para o Grupo Especial. O resultado, a exemplo de 1999, é até hoje contestado dentro da Mancha.

No ano seguinte veio o tão sonhado acesso. E foi de maneira incontestável. Com um desfile impecável, e com o grande enredo “A Saga Italiana em Terra Paulistana”, a Mancha sagra-se campeã do Grupo de Acesso e, pela primeira vez, chega ao Grupo de Elite do Carnaval Paulistano.

O sonho do nosso fundador CLÉO estava, enfim, sendo realizado. A MANCHA VERDE era reconhecida também como ESCOLA DE SAMBA.

Curiosidades

* A Escola de Samba Rosas de Ouro é quem batizou a Mancha Verde como bloco carnavalesco.

* A sambista Leci Brandão é a madrinha da Mancha Verde como escola de samba.

 

* Em 1993, logo após o título brasileiro do Palmeiras, a Mancha fez uma grande festa na Praça da rua Padre Antonio Tomás. A Brahma enviou um caminhão pipa de cerveja para a festa. A bateria da escola de samba Rosas de Ouro foi convidada a se apresentar na festa. Chegando lá, ouviram uma batucada e perguntaram qual era a escola que estava se apresentando e se surpreenderam quando a resposta foi que não era uma escola de samba, era a batucada da MANCHA.

* O intérprete Quinho, consagrado no Salgueiro e no Carnaval do Rio de Janeiro, veio cantar pela primeira vez em São Paulo, na Mancha, em 1998 quando a Mancha ainda era Bloco. Quando a Mancha começava seu desfile, algumas pessoas comentavam que o “puxador de samba” da Mancha tinha a voz parecida com a do Quinho. Mal sabiam elas, que era realmente o próprio Quinho à frente do microfone da Mancha.

* Em 1996, a Mancha Verde desfilou no começo da noite como bloco carnavalesco na Vila Maria e foi vice-campeã. E a noite, mais de 200 integrantes da Mancha estavam desfilando pela Águia de Ouro, no Anhembi, onde ajudaram o Águia a conquistar o vice-campeonato do Grupo de Acesso e a vaga no Grupo Especial, fantasiados de “Garis da Av. Paulista” na ala que fazia homenagem à esses grandes trabalhadores.

* Outros nomes que colaboraram muito neste início da Mancha no mundo do samba foram: Seu Basílio e seu irmão Ernani do Rosas de Ouro, Seu Chiclé do Vai-Vai, Seu Nenê da Nenê de Vila Matilde, a saudosa Mãe Cleuza e o Sr. Helio Bagunça do Camisa Verde e Branco, Robson Oliveira que era o presidente da UESP quando a Mancha fundou o Bloco Carnavalesco, etc.

* A Mancha tem uma característica própria de criar seus próprios sambistas. Das escolinhas da Mancha já saíram mestres de bateria, carnavalescos, diretores de Harmonia, compositores, mestres sala e porta bandeiras, etc, que hoje atuam também em outras grandes escolas de samba.

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