“Não aguenta pressão, sai do Verdão…”

Por: Torcida Mancha -

Recentemente, Paulo Nunes deu uma entrevista falando da PRESSÃO que o time campeão da Libertadores sofreu da Mancha. Aliás, essa pressão veio a pedido do treinador Felipão, que chamou a diretoria da Mancha, dizendo que alguns jogadores estavam saindo de balada e tumultuando o grupo. Para variar, e como a história mostra, a diretoria do Palmeiras tradicionalmente não tem pulso e culhão e a torcida fez a obrigação da diretoria.

Mancha Verde não aguenta a pressão, fora do verdão...

Por algumas noites fizemos plantão nas baladas paulistanas, principalmente no Terra Brasil, onde algumas vezes encontramos jogadores da S. E. Palmeiras. E não foi pamonha e pipoca que jogamos. Era dedo na cara, xingamento e se levasse uma era daquele jeito.

Esses jogadores, no campo, ganharam o título mais importante da nossa história. Se fosse agora, na época de torcedor digital que torna ídolo em intocável e imortal, estaríamos todos presos e condenados. E, com certeza, o Palmeiras estaria sem o título da Libertadores.

A nossa pressão trouxe o título para o Verdão. E estamos falando de jogadores cascudos e malandros de futebol como Paulo Nunes, Oséas, Alex, Roque Junior, Clébão, Evair e etc.


Tivemos alguns lixos de jogadores, alguns diretores de futebol e treinadores que derrubamos na base da pressão. Devido à política do clube, ainda não conseguimos derrubar nenhum presidente. Mas todos passam. Menos a TORCIDA.

E esta não foi a única cobrança da torcida. De todas as batalhas internas, a Mancha Verde tem muito orgulho da pressão que fez no Nelsinho Baptista e na Parmalat. Com certeza a história não seria a mesma, com certeza a nossa pressão mudou os rumos, criou um ídolo, forçou a Parmalat a injetar dinheiro na equipe.

A guerra contra Nelsinho e a Parmalat

Em 1992 teve uma “briga” que podemos considerar como a mais importante das quais lutamos, e a que melhor resultado trouxe para a história da S. E. Palmeiras. E nessa “briga” não tinha que sair na mão, dar soco ou pontapé… Tínhamos que ser chatos e persistentes, e até mesmo arriscar.

Batemos de frente com o Nelsinho Baptista, então treinador da equipe, que tinha dispensado o atacante Evair, o meia Edu Marangon (o Boy da Mooca), o goleiro Ivan e o zagueiro Andrei.

E o engraçado é que compramos essa briga não pelo Evair, mas sim pelo Edu. O Boy da Mooca fez muito sucesso com a camisa da Lusa, jogou até que bem no Palmeiras, só que ele tinha identificação com o clube por demonstrar amor ao time. Seu filho entrava no campo com ele e chorava ao ouvir o hino.

Matéria revista gazeta esportiva pressão da torcida do Palmeiras

Enfim… O Edu foi dispensado pelo Nelsinho com um recado escrito em um guardanapo… E, para azar do Nelsinho, essa história chegou aos ouvidos do Paulinho. O Serdan tinha acabado de assumir a presidência da Mancha Verde, em 1992. Como ele até hoje é um cara que sempre correu pelo certo, e não iria aceitar o errado, foi “a deixa” para fazermos da vida do treinador um inferno. Começamos a pressionar… E bota pressão nisso…

E a Parmalat, que até então estava na base da promessa, mas até aquele momento não tinha feito nenhuma contratação de impacto, foi até tentar o Maradona, na Itália, que acabou recusando a proposta, e viramos chacota – “O Maradona virá cheirar o pó das taças do Palmeiras”.

Tivemos uma reunião com a Parmalat, na qual o Brunoro disse que manteria o Nelsinho Baptista e o planejamento de contratações, que era de médio a longo prazo, que viriam sim outros jogadores renomados, mas não naquele momento.

Não aceitamos aquilo! Afinal, estávamos na fila há quase 16 anos, uma empresa estrangeira chegou ao clube, cheia de dinheiro, mas não tinha feito nenhuma contratação de renome e ainda mudara a cor e o modelo da nossa camisa! Não podíamos aceitar!

Éramos, e somos, a Mancha Verde, e defenderemos o melhor para o Palmeiras sempre. Mesmo que o inimigo esteja dentro do próprio Palmeiras.

E foi assim que batemos de frente com a Parmalat.

“Fora, Nelsinho! Prefiro Leite Ninho!”
“Ão, ão, ão, Parmalat é ilusão!”

E assim amanheceram os muros do Palmeiras na entrada principal, como era até então, na Av. Francisco Matarazzo!

Técnico Nelsinho é considerado traidor pela torcida do palmeiras
Outra sacada e inovação da Mancha. Isso que hoje é moda! Inovamos não apenas pichando o muro, mas sim de combinarmos com um fotografo do Diário Popular para registrar tudo!

Assim que o Boi, Formigão, Nene, Turuna, Paulinho, Moacir, Leo, os Japinhas (Andre e Renato), Malpica, Reginaldo e Cabeção começaram a pichar contra o Nelsinho e a Parmalat, eis que desce de um táxi um fotógrafo e, no dia seguinte, na capa do jornal, lá estavam nossas imagens e os dizeres das pichações!


O choque foi bater na Parmalat, afinal, ela era uma esperança, mas só que, de concreto mesmo, até àquela data, nada tinha feito!

O Brunoro chegou a dar uma entrevista dizendo que isto NÃO ACABARIA EM PIZZA (prestem atenção nessa frase).

Mesmo quando o time deixava o campo após a vitória por 4 a 0 sobre o Sampaio Corrêa do Maranhão, vaiamos, xingamos e irritamos ele.

A pressão continuou em todos os jogos até que o Nelsinho Baptista, não suportando a PRESSÃO da Mancha Verde, pediu pra sair.

E para seu lugar foi então contratado o Otacílio Gonçalves, que tinha conquistado o Campeonato Paranaense de 1991 e a segunda divisão do Campeonato Brasileiro de 1992 com o Paraná Clube.

A Parmalat também montou uma infraestrutura no Parque Antárctica que lhe permitiu monitorar as atividades mais de perto, sob o comando de José Carlos Brunoro. Otacílio chegou e pediu dois jogadores, que acabariam logo contratados: Maurílio e Cuca, e em busca também de uma grande contratação o Palmeiras trouxe da Europa o Mazinho.

A saída de Nelsinho também proporcionou a volta de EVAIR.

E esses reforços, bem como o estilo amigável de Otacílio, foram as principais razões para a recuperação alviverde no campeonato.

E, após a queda do Nelsinho Baptista, o Brunoro, por meio da Parmalat, chamou então a Mancha para uma reunião, que por ironia do destino foi na PIZZARIA Papa Genovese…

E, literalmente, tudo acabou em Pizza! Diretor é tudo igual e a história sempre se repete!

O projeto de médio a longo prazo passou então a ser de curto prazo. Começaram as contratações, mas o Edu nós realmente não conseguimos que voltasse à equipe. A sorte é que um certo centroavante foi reintegrado… E em 1993 fez história: Eo, eo, Evair é um terror!

E o título memorável, e para alguns o título mais importante da nossa história, também chegou.

PRESSÃO

Em 1993 tínhamos um esquadrão, montado pela Parmalat após nossa pressão na era Nelsinho.

Éramos favoritos, só que o primeiro jogo o time pipocou e perdemos com o famoso gol que o Viola imita o Porco.

O Luxemburgo levou então o time para Atibaia, porém a Mancha divulgou que faria uma “vaquinha” a fim de ajuntar dinheiro para dar aos jogadores como prêmio, caso vencessem aquele segundo jogo! O Serdan conhecia o Antonio Carlos e o Zinho e vendeu aquela ideia a eles. Lógico que os jogadores ficaram “mordidos”. Eles não queriam dinheiro. Queriam orgulho, para entrarem na história do Palmeiras, e do futebol! Foi algo bem arriscado, porém necessário para mexer com o brio deles!

Essa é a Mancha. Polêmica! Porém, sempre em prol do melhor para o Palmeiras, acima de tudo e de todos!

E isso surtiu efeito… Tempos depois o próprio Antonio Carlos confessou que o grupo ficou com o orgulho ferido, querendo mostrar que não eram mercenários! E entraram não apenas para serem campeões, como também golear e mostrar para a torcida que não era dinheiro que queriam. Quem ganhou com isto?

Time do Palmeiras campeão paulista 1993

“Em 93, nós ganhamos o Paulistão, foi em cima dos Gambás… Quatro a zero pro Verdão”.

“Somos a Mancha Verde a mais temida, sigo o meu Palmeiras por toda a vida”.

“Pode chamar a PM e me mandar embora, eu vou ficar brigando lá do lado de fora… OOOO Mancha Verde é um terror”.

E não precisam ficar do nosso lado, só entendam que o melhor para o Palmeiras é o melhor para a Mancha. E vamos lutar e defender sempre as nossas cores.

O nome do Palmeiras está acima de qualquer jogador, diretor mito ou presidente banana.

Veja a nota completa sobre os últimos protestos clicando aqui.

Desde 1983.

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