TROFÉU LANCE – O dia em que o Manchão foi preso

Por: Torcida Mancha - 6 de outubro de 2017

 

A função primordial de uma torcida organizada é fazer festa na arquibancada… Torcer e apoiar o seu time incondicionalmente.

Muitos jovens optam por conhecer o mundo das organizadas e se filiam após alguma experiência na sua infância de arquibancada. Algum jogo inesquecível, que de longe ele viu a torcida fazendo festa com bandeiras, bandeirão, plásticos, instrumentos e  cantando suas músicas em apoio ao seu clube.

Não trata-se apenas de uma partida de futebol, vai muito mais além… É paixão misturada com amor.

Após o acontecimento no Pacaembu em 1995, as autoridades inverteram a lógica. Para acabar com a violência, retiraram o que trazia alegria aos estádios. Não foram punidas as pessoas e sim bandeiras, camisas, fumaças, bandeirão, piscas e etc.

90 ANOS DE PALMEIRAS

2004 foi um ano emblemático para o nosso clube que completava 90 anos. Após a era Parmalat, tivemos a queda para a segunda divisão em 2002 e as turbulências políticas sempre atrapalhando o ambiente. Era um ano para comemorar, lutar por títulos e etc. Só que tínhamos o receio por tudo o que estava acontecendo, só que não medimos esforços para marcar essa data, com eventos e festas comemorativas durante aquele ano. Nada é maior que o amor que sentimos pelo Palmeiras.

TROFÉU LANCE

Já tinha se passado 9 anos da batalha no Pacaembu e algumas autoridades tiveram um momento de sensatez e lucidez. Algumas organizadas já tinham ganhado na justiça o direito de usar suas camisas e faixas. Aproveitando a situação, o promotor Fernando Capez resolveu fazer uma disputa da melhor festa de torcida e, junto com o Lance!, reeditaram algo que a Gazeta Esportiva fazia nos anos 70 e início dos 80, que era a batalha da torcida mais vibrante (inclusive, o apelido da TUP, “a mais vibrante”, é devido uma disputa que a torcida ganhou nos anos 70).

O DESTINO

O jogo escolhido foi um Palmeiras x Corinthians, que estava marcado para o dia 29/08/2004. Ou seja, 3 dias após o nosso aniversário de 90 anos e 3 dias antes do aniversário do nosso rival.

Foi o comentário da semana e toda a mídia fez barulho e noticiou como se fosse um jogo a parte. Teríamos Palmeiras x Corinthians e, na mesma hora, Mancha x Gaviões. As regras foram estabelecidas pelos organizadores e as torcidas seriam avaliadas nos seguintes temas:

– Empolgação;

– Canto;

– Comportamento;

– Alegorias;

– Incentivo.

O corpo de jurados foi formado pelas seguintes pessoas:

– Major Fernando – responsável pelo policiamento;

– Fernando Capez – promotor público;

– Daniel Santini – jornalista do Lance!;

– Thiago Salata – jornalista do Lance!;

– Maurício Oliveira – jornalista do Lance!.

A PREPARAÇÃO

Foi uma semana intensa na quadra. A festa tínhamos garantida, só que a preocupação eram os jurados. “Essa imprensa de gambá”, nós não cantamos a toa essa música. E dos 5 jurados, 3 eram jornalistas. E o Capez tinha seus motivos para não gostar da Mancha. Sabíamos que, para vencer, tínhamos que VENCER e CONVENCER… Não deixar margens e mesmo assim seria difícil .

As ideias foram surgindo e colocamos em prática:

– Faixa verde, branca e vermelha no anel superior inteiro do Morumbi;

– Na parte da numerada (embaixo da Mancha) levamos várias bandeiras com as imagens dos ídolos do Palmeiras nesses 90 anos de história;

– Foi feita uma bandeira com 90 anos em dourado;

– Fumaças, verde, branca e vermelha;

– Milhares de bexigas verdes e brancas;

– Centenas de bexigas à gás que soltamos na entrada do time;

– Bandeirão;

– Bandeira somente do símbolo do Palmeiras, que era do antigo bandeirão;

– Piscas.

E a nossa grande surpresa, a cereja do bolo…. Levaríamos o MANCHÃO que desfilamos naquele ano.

Conseguimos a autorização no Batalhão de Choque para levar um boneco da Mancha de 4 metros de comprimento por 2,80 de largura. O Mancha com cara de mal. Era da cintura para cima e com as duas mãos fazendo o sinal de “tô na boa”, o mesmo que o Edmundo usava nas comemorações dos gols.

A ideia era calar o Morumbi…. No segundo tempo… Os times postados…. E, após o juiz apitar o reinício da partida, do túnel sairia o MANCHÃO e caminharia da divisa até a bateria da Mancha. Algo jamais visto e feito no mundo das organizadas.

O jurado podia ser gambá que não tinha como… A nota era nossa.

Tudo pronto e chegou o grande dia.

MANCHÃO EM CANA

Antes dos ônibus saírem da sede, tínhamos que levar o material para o Morumbi.

E, às 10 horas da manhã,  começamos os preparativos para a carreata com caminhão e toda rapaziada do patrimônio com o material.

Exceto o Manchão, pois ele não cabia no caminhão.

A missão do Manchão ficou com o Izidoro Lopreto, que na época tinha uma caminhonete S10 de cabine dupla. Foi um sufoco amarrar o Manchão naquela caminhonete. Ficamos preocupados com as pontes que têm na marginal até chegar ao Morumbi. O Vuan foi o cara da escolta e só estava ele, Giovana, Gabi e mais dois caras.

Inimaginável nos dias de hoje sair com um patrimônio em dia de clássico com as duas torcidas nas pistas e com essa “escolta”. E segue o jogo… Assim eles foram para o Morumbi.

Os ônibus saíram por volta das 13 horas… Chegamos cedo no Morumbi para preparar a festa. O jogo foi o recorde de público do ano.

A ansiedade a mil… Parecia final de Copa do Mundo… Disputando qual a melhor torcida com o nosso maior inimigo.

No túnel, a rapaziada preparando as faixas, as bexigas e separando os bandeirões (levamos dois) e ainda o símbolo gigante do Palmeiras. E o horário da partida ia se aproximando e nada do Manchão chegar… A preocupação bateu, usávamos Nextel e começaram a tocar os rádios. Nós já achando que o pior poderia ter acontecido com o Izidoro e o Vuan trazendo o Manchão.

Alguns minutos antes de começar o clássico, chegou a notícia:

“O Manchão foi preso”

Como assim? O único cara da Mancha que nunca brigou está preso? O boneco nunca fez nada para ninguém.

Tínhamos conseguido contato com o Izidoro que contou:

“A Polícia Militar estava próxima à Ponte do Jaguaré, aliás, era uma viatura militar do Canil, e parou a S10. Como os documentos do carro não estavam em dia e o Manchão na caçamba com os braços ocupando duas pistas da marginal, foi alegado direção perigosa”. E todos os militantes, inclusive o Manchão, foram levados para delegacia.

DERROTA NO CAMPO E VITÓRIA NA ARQUIBANCADA

Não deixamos a prisão do Manchão abater o clima da partida. Foi feita uma festa inesquecível. Conforme programado, as bexigas de gás foram soltas na hora certa. Subiu um bandeirão e quando desceu já tinha outro bandeirão aberto embaixo, os plásticos verde e branco ficaram estendidos e deram aquele efeito louco, as bexigas entregues no início da partida, soltamos os piscas ao final do jogo. E cantamos. Como cantamos aquele dia!! Do outro lado, vimos o de sempre, sem graça… Soltaram três latas de fumaça preta e bexiga preta. No gramado, a partida foi 1 x 0 para eles, com um gol do Jô.

Na arquibancada, mesmo desfalcada do Manchão e com a derrota do Verdão, a vitória foi nossa. Logo após a partida recebemos a informação do resultado dos jurados.

Curiosidades:

– Manchão ficou 3 dias em cana;

– O delegado mandou tirar ele, após ter virado atração turística com vários palmeirenses indo na delegacia tirar foto;

– No dia seguinte, a capa do Lance foi: RECORDE E MANCHA, fazendo alusão ao recorde de público e à vitória da Mancha, ou seja, a vitória dos gambás ficou para segundo plano;

– O Troféu Lance! encontra-se na quadra na sala da diretoria, na galeria de troféus da entidade;

– A Mancha propôs outro desafio no clássico de volta e o nosso rival não aceitou;

– As bandeiras com a imagem dos jogadores eram da Sinal da Cruz. A Sinal da Cruz era um movimento que deu origem à Torcida Savóia. O Zé Luis (que é da Mancha) emprestou as bandeiras para fazermos a festa.

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